CAMPOS
ELETROMAGNÉTICOS E SAÚDE
PÚBLICA
Os telefones celulares e suas
estações base
Prof. Alberto
Ricardo Präss
www.fisica.net
Os telefones
celulares estão se convertendo
em uma parte importante das comunicações
modernas. Em algumas regiões
do mundo são os mais seguros
ou os únicos meios disponíveis.
Em outras, são muito populares
porque permitem manter uma comunicação
contínua sem dificultar
a liberdade de movimentos, vantagem
muito apreciada tanto durante
o trabalho como em momentos de
lazer.
O uso cada vez
maior de telefones celulares e
a correspondente construção
de estações de base,
despertaram a preocupação
pelos possíveis efeitos
adversos da tecnologia celular
sobre a saúde, entre os
quais, o câncer, as cefalgias
e a perda de memória. Se
levarmos em conta que, segundo
estimativas, são mais de
200 milhões de aparelhos
de celulares no mundo, pequenos
efeitos adversos poderiam representar,
em grande escala, graves problemas
para a saúde pública.
Em resposta a
essas preocupações,
a Organização Mundial
da Saúde (OMS) estabeleceu,
em 1996, o Projeto Internacional
EMF (Eletromagnetic Field) para
analisar as provas científicas
já existentes, sobre os
possíveis efeitos sobre
a saúde dos campos eletromagnéticos
(EMF), incluindo os campos de
radiofreqüência (RF)
emitidos por telefones celulares
e suas estações
base, e recomendar a realização
de novas investigações.
Ao analisar os
possíveis efeitos adversos
para a saúde da exposição
humanas aos campos de RF, é
importante não confundir-los
com a radiação ionizante,
como os raios X, os raios gama
ou a radiação ultravioleta
de onda curta (UV-B). A diferença
em relação a radiação
ionizante é que, mesmo
os campos de RF com alta instensidade,
não produzem ionização.
Devido a isso, os campos de RF
se chamam de radiação
não ionizante (NIR).
Os sistemas atuais
de telefones celulares funcionam
com freqüências compreendidas
entre 800 e 1800 MHz. Em breve
serão intruduzidos sistemas
que utilizam 2100 MHz e outras
freqüências mais altas.
Todas elas estão dentro
de um espectro que vai de 1 MHz
até 10 GHz (1 GHz = 1000
MHz). Durante os últimos
quarenta e cinco anos tem-se investigado
os efeitos adversos para a saúde
da exposição a RF
dentro dessas margens.
Efeitos para
a saúde dos Campos de RF
compreendidos entre 1 MHz e 10
GHz: se sabe que os campos de
RF, dentro dessa gama, penetram
nos tecidos expostos e produzem
calor devido a absorção
de energia. A profundidade da
penetração no tecido
depende da freqüência
do campo e é maior para
as freqüências mais
baixas. Inclusive níveis
muito baixos de energia de RF
produzem pequenas quantidades
de calor, porém os processos
normais de controle de temperatura
do organismo dão conta
de reestabelecer os padrões
normais. Apesar disso, as normas
técnicas internacionais,
que regem a fabricação
dos telefones móveis e
a construção das
estações radiobase,
proíbem que se produzam
quantidades apreciáveis
de calor.
Exposição
a campos de RF de baixa intensidade:
mesmo que muito fracos, podem
produzir grandes quantidades de
calor e , se verificou, que esses
campos alteram a atividade elétrica
do cérebro de gatos e coelhos,
devido a trocas na mobilidade
do íon cálcio. Este
efeito também se verificou
em células e tecidos testados.
Outros estudos sugerem que os
campos de RF modificam a taxa
de multiplicação
das células, alteram a
atividade enzimática ou
afetam os genes no DNA das células.
Esses efeitos não estão
comprovados, nem suas conseqüências
para a saúde humana são
sufuicientemente conhecidas para
fazermos restrições
a exposição a campos
de RF de baixa intensidade.
Exposição
a campos de RF e câncer:
as atuais provas científicas
indicam que não é
provável que a exposição
a níveis de campos de RF,
inclusive os emitidos por telefones
celulares e suas estações
base, induzam ou promovam cânceres.
* Os estudos
sobre câncer com animais
não proporcionaram provas
convicentes de que existam efeitos
sobre a incidência de tumore
porém, um estudo recente
descobriu que os campos de RF,
similares aos utilizados em celulares,
aumentam a incidência de
câncer entre ratos, geneticamente
modificados, quando expostos a
distâncias pequenas (0,65
m) de uma antena transmissora.
Deverão ser feitos novos
estudos para determinar a pertinência
desses resultados para o câncer
em seres humanos.
* Até
o presente, os estudos epidemiológicos
(saúde da população)
não proporcionaram informação
adequada, que permita alguma conclusão
sobre o risco de câncer
humano pela exposição
a RF, pois os resultados não
são coerentes. Isso se
pode explicar em face das muitas
variáveis envolvidas e
pelos muitos métodos de
coleta de dados.
Convém
destacar que a maioria dos estudos
sobre RF realizados com freqüências
acima de 1 MHz, usaram os resultados
de uma exposição
aguda a níveis muito altos
de campos de RF, circunstâncias
que não se encontram em
nossa vida cotidiana. Entretanto,
com a aparição de
aparelhos novos e a sua proliferação,
tornou-se claro que não
existem muitos estudos sobre a
questão da exposição
localizada (cabeça e cérebro)
a campos de RF.
Campos de RF
procedentes de telefones celulares:
ainda que os aparelhos de telefonia
celular transmitam muito menos
potência que uma estação
de base, o organismo do usuário
absorve quantidades muito maiores
provenientes da antena do aparelho
do que da antena da radiobase.
A cabeça do usuário
recebe a exposição
localizada de RF. Porém,
as normas internacionais limitam
esta exposição,
e não deveriam causar um
aumento local de temperatura superior
de 1°C.
Para uma pessoa
situada a 30 cm de um telefone
celular que esteja transmitindo,
a absorção de RF
é 100 vezes menor do que
a absorção quando
usamos o aparelho encostado na
cabeça. Esta exposição
não provoca nenhum aumento
mensurável da temperatura
corporal. A quantidade de RF absorvida
diminui rapidamente ao aumentar
a distância ao aparelho.
O Projeto Internacional
EMF da OMS identificou as pesquisas
que são necessárias
para elucidar o problema da exposição
localizada. Um estudo importante,
que está sendo feito no
Centro Internacional de Investigação
do Câncer da OMS, examina
as relações entre
a utilização de
telefones celulares e os possíveis
efeitos adversos, a longo prazo,
para a saúde.
Campos de RF
próximos às estações
base: as antenas de RF das estações
base são estreitas e de
1 m de profundidade, aproximadamente.
Várias antenas desse tipo
são montadas numa torre
cuja altura varia de 15 a 50 m,
ou sobre um edifício. Cada
uma dessas antenas emite um raio
de RF bem delimitado, quase como
o de um foco, que é aproximadamente
paralelo ao solo. Dada a escassa
amplitude vertical do raio, a
intensidade do campo de RF sobre
o solo diretamente abaixo da antena
é baixa e diminui rapidamente
ao aproximarmos da torre.
A qualquer distância,
os níveis no solo , próximo
as estações base,
estão sempre bem abaixo
dos limites internacionais para
a exposição do público
em geral. Algumas antenas, montadas
na superfície, têm
valas para evitar que as pessoas
se coloquem em locais onde os
campos de RF superem esses limites.
No caso de antenas montadas em
paredes laterais de edifícios,
não há riscos para
as pessoas no interior, pois as
antenas dirigem o sinal para o
exterior.
Dependendo da
distância das antenas, as
medições de intensidades
de RF no solo, próximo
das antenas das estações
base, se se situam entre 1/40
e 1/250, ou menos, do máximo
permitido pelas normas internacionais
sobre exposição
do público. As antenas
de TV, que funcionam com freqüências
parecidas (500 - 800 MHz), transmitem
uma potência total maior
que as estações
base, e emitem campos de RF para
a superfície que vão
desde 1/2 até 1/500 do
máximo permitido pelas
normas internacionais.
O que se deve
fazer enquanto prosseguem as investigações
?
Um dos objetivos do Projeto Internacional
EMF é ajudar as autoridades
nacionais a avaliar as vantagens
da tecnologia do telefone celular
frente aos incovenientes de qualquer
efeito adverso sobre a saúde,
ainda que sejam mínimos.
Mesmo que as investigações
ainda não estejam concluídas,
a OMS recomenda:
* O cumprimento
das normas nacionais e internacionais
de segurança: essas normas,
baseadas nos conhecimentos disponíveis,
foram elaboradas para proteger
toda a população
(usuários de telefones
celulares, pessoas que trabalham
ou vivem próximas de estações
base e quem não utilizam
esse tipo de telefone).
*Interferências
provocadas pelos EMF: os telefones
celulares, assim como outros aparelhos
eletrônicos de uso comum,
podem causar interferências
eletromagnéticas em outros
aparelhos. Em conseqüência,
devem tormar-se precauções
quando se utilizam telefones celulares
nas proximidades de equipamentos
eletromédicos utilizados
nas UTIs dos hospitais. Em alguns
casos, os telefones celulares
podem interferir com sistemas
aéreos de navegação,
e com certos dispositivos médicos,
como marcapassos e aparelhos de
surdez. As pessoas que utilizam
tais dispositivos, devem consultar
a seu médico para determinar
se existem riscos de interferência.
*Medidas sensíveis
de proteção: valas
ou barreiras em torno das bases
das antenas podem contribuir para
evitar o acesso não autorizado
a zonas onde os limites de RF
podem ser superiores aos níveis
máximos. Porém,
as provas científicas não
indicam que sejam necessárias
capas protetoras nos aparelhos.
*Consultas com
as autoridades locais e ao público
para a construção
de estações base:
com é lógico, a
implantação da estação
base de um telefone celular deve
oferecer boa cobertura para o
sinal e acessibilidade para a
manutenção. Se bem
que os níveis do campo
de RF em volta das estações
base não representem um
risco para a saúde, as
decisões sobre sua construção
devem ter em conta a estética
e a sensibilidade do público.
Instalar, por exemplo, estações
base próximas a jardins
de infância, escolas e parques
infantis podem requerer uma consideração
especial. A livre comunicação
e debate entre a empresa operadora
de telefonia móvel e o
público é desejável.