Matérias sobre Telefonia Móvel

 

ERBs CELULARES IRREGULARES NO ABC PAULISTA

São Bernardo do Campo desrespeita a própria lei que regulamenta a instalação e funcionamento das antenas de celulares.

Por: Rodrigo Cipriano (Do Diário do Grande ABC)

 

25/10 - 17h30
Região tem 50 antenas clandestinas
Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

Pelo menos 50 ERBs (Estações Rádio Base) instaladas na região não possuem autorização de funcionamento das prefeituras. São clandestinas.

As ERBs são antenas utilizadas pelas operadoras de telefonia celular na retransmissão de sinal para os aparelhos móveis de seus assinantes.

Segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), existem 195 torres em funcionamento nas sete cidades do Grande ABC. Destas, 138 estão em seis municípios, excluído Santo André, que autorizaram a construção de apenas 88 ERBs. As outras estão irregulares. Em Santo André há 57 antenas de acordo com a Anatel, mas a cidade não informou quantas têm autorização.

A comparação dos dados apresentados pela Anatel e pelas prefeituras mostra que São Bernardo é a cidade que mais possui ERBs sem autorização municipal para funcionar. Das 71 torres existentes na cidade, apenas 25 teriam permissão da administração para operar.
O fato surpreendeu o secretário de Obras da cidade, Otávio Manente.

Ainda nesta semana, a Prefeitura pretende solicitar à Anatel a localização de todas as ERBs para as quais ela concedeu autorização de funcionamento na cidade.
Os dados serão confrontados com as torres que possuem autorização municipal para operar. “A partir disso descobriremos quais antenas estão irregulares e tomaremos as providências necessárias”, afirmou o secretário. Segundo ele, as torres irregulares serão vistoriadas e correm o risco de serem embargadas.

Em Mauá, três ERBs não possuem autorização da Prefeitura para funcionar.
Em Rio Grande da Serra, existem três antenas e uma delas está irregular.
Em Ribeirão Pires e em Diadema, 21 antenas de transmissão solicitaram autorização para as prefeituras e aguardam regularização. Todas foram aprovadas pela Anatel e estão em operação.
São Caetano possui apenas uma torre de transmissão irregular. A ERB fica na avenida Guido Aliberti, no Jardim São Caetano, e teria sido instalada à revelia da legislação municipal.
No fim do mês passado, a Prefeitura descobriu a existência da antena e conseguiu na Justiça interromper o seu funcionamento. Para cada dia que operou clandestinamente, a empresa responsável pela ERB foi obrigada a arcar com uma multa de R$ 100. A Prefeitura não soube dizer a soma total da dívida da empresa com o município.

Santo André não apresentou a relação de ERBs com autorização de funcionamento municipal ao Diário. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano da cidade espera ter pronto esta semana um levantamento das ERBs já autorizadas. O município só vai se posicionar sobre o problema quando receber a relação de antenas autorizadas pela Anatel, tendo em vista preservar o sistema de telefonia celular.
Vizinhos conseguem 'derrubar' antenas

Do Diário do Grande ABC
São Bernardo é a cidade que mais tem antenas instaladas irregularmente.
Em agosto deste ano, uma ação popular terminou com o embargo da construção de uma ERB (Estação Rádio Base). A torre de transmissão não tinha autorização da Prefeitura para operar. Ao saber disso, moradores do Jardim Palermo, onde a antena seria erguida, denunciaram o caso à administração municipal.

Ao tomar conhecimento do caso, a Prefeitura descobriu que não tinha dado autorização para a empresa instalar a torre de transmissão no bairro e a obra foi embargada. Os operários que trabalhavam na construção da ERB ainda preparavam o solo para montar a estrutura da torre, que não saiu do chão.
Os moradores que fizeram a denúncia à Prefeitura disseram ter escutado boatos de que no terreno seria instalada a antena. “Como ainda pairam muitas dúvidas sobre o que ela pode gerar para a saúde, resolvemos pedir ajuda”, afirmou a advogada Elaine Oliveira, 44 anos, uma das vizinhas da ERB.
Casos de mobilização social contra a instalação de ERBs são comuns na cidade, onde moradores protestaram e fizeram abaixo-assinados para retirar duas antenas.

Em junho deste ano, os moradores do bairro Jordanópolis denunciaram a construção de uma torre de transmissão na rua Rio de Janeiro. Depois de vistoriar a ERB, a Secretaria de Obras constatou que o equipamento não estava de acordo com a legislação municipal. A torre foi embargada e a Prefeitura, na época, afirmou que iria pedir para a empresa responsável pela ERB que desmontasse a torre de transmissão.

Mas nem todos os casos têm o mesmo desfecho. No segundo caso, do bairro Demarchi, um grupo de moradores protestou contra a instalação de uma ERB. Apesar das queixas dos vizinhos, a obra possuía a autorização da Prefeitura e a obra prosseguiu.
Em Santo André, a construção de duas ERBs, nos jardins Alzira Franco e Monte Líbano, foram investigadas pela Promotoria do Meio Ambiente da cidade. Segundo os promotores, a Prefeitura não havia concedido qualquer tipo de autorização para a construção dessas torres de transmissão.
O Ministério Público encaminhou um pedido para o desligamento das ERBs.
Caso o pedido seja aceito, a empresa responsável pela antena será obrigada a desativá-la imediatamente. Se não, arcará com uma multa diária de R$ 300 mil.

» algumas pessoas apresentam aumento na temperatura corporal quando se aproximam de ERBs. O que esse calor pode causar ainda não foi esclarecido.

Em casos mais graves, segundo a própria Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), aproximidade destas torres de transmissão também pode acarretar descargas elétricas e queimaduras.
Outra questão polêmica é a distância que se deve manter de uma ERB. “O dano que ela causa está condicionado à intensidade de seu sinal”, afirmou o engenheiro e professor do Instituto Mauá de tecnologia, Eduardo Perri.

Sob esta ótica, uma torre de transmissão instalada a poucos metros de um bairro residencial pode ser menos nociva do que um equipamento localizado a uma distância maior.

Leis exigem aprovação municipal
Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

Para manter as torres de transmissão em atividade, as empresas têm de apresentar à Anatel um documento chamado laudo conclusivo, no qual garantem que estão autorizadas pelas administrações municipais a operar suas ERBs (Estações Rádio Base). A exigência está na legislação federal do setor.
Segundo informações prestadas pela assessoria de imprensa da Anatel, esse documento é elaborado por uma equipe de engenheiros contratados pela empresa dona da torre de transmissão. De acordo com a agência, a mpresa é a responsável pela veracidade das informações contidas no laudo conclusivo. Se forem falsas, a autorização de funcionamento pode ser cassada imediatamente.
A Anatel acredita na idoneidade da declaração e não solicita à empresa qualquer documento emitido pela prefeitura do município que comprove sua veracidade.
Essa postura é apontada pelos municípios como um facilitador para a proliferação das ERBs clandestinas, que acabam sendo erguidas com a autorização da agência reguladora, mas à revelia das prefeituras.
Antes de liberar a torre de transmissão, a Anatel faz uma vistoria na ERB. Caso o equipamento esteja de acordo com as normas técnicas estabelecidas, ela concede autorização para o funcionamento da torre.
A Lei Geral das Telecomunicações, em vigor desde 1997, prevê que o funcionamento de uma ERB só pode ser autorizado caso o equipamento esteja de acordo com as normas municipais.
As ERBs devem obedecer também a legislação estadual. O equipamento deve estar isolado em uma área de 30 metros de qualquer imóvel, seja ele para fins de moradia ou de comércio.
Documento – O Diário tentou ter acesso a um desses laudos conclusivos entregues à Anatel pelas empresas que administram ERBs na região. A agência reguladora, no entanto, informou que isso não seria possível.
Segundo a Anatel, esta seria uma comunicação interna, restrita à agência e à empresa responsável pelo documento. Para a Anatel, a exposição do laudo conclusivo não seria ética, apesar de o documento ser de caráter público.


S.Caetano desativou duas torres
Do Diário do Grande ABC

Desde o início do ano, São Caetano teve três casos de empresas com autorização da Anatel para operar ERBs, mas que estavam irregulares diante da legislação municipal. A Prefeitura conseguiu na Justiça que duas empresas desmontassem suas ERBs irregulares. As torres irregulares nos bairros Santo Antônio e São José sofreram multas de R$ 17 mil e R$ 25 mil.
Outro caso está na Justiça. A Tess, operadora de telefonia celular do litoral paulista, pediu autorização para erguer uma ERB na avenida Guido Aliberti, negada pela administração.
Quase dois meses depois, fiscais da Prefeitura viram a torre de transmissão em plena operação. “Foi uma ação ilícita”, afirmou Júlio Marcucci, responsável pela Diretoria de Obras de São Caetano. A
administração embargou o funcionamento da antena e quer vê-la fora dali.

Em nota oficial, a Tess afirmou negociar com a Prefeitura. Segundo a Tess, a antena não descumpre a legislação federal sobre radiação emitida, mas não explica a falta de autorização municipal.
O Diário procurou as outras operadoras de telefonia celular na região mas, até o fechamento desta edição, elas não haviam se pronunciado. A única empresa com que o Diário não conseguiu contato foi a Vivo.


Com base nas matérias publicadas pelo Diário do Grande ABC, o vereador Aldo Santos encaminhou representação ao Ministério Público e ao Ministério das Comunicações.
27/10 - 20h29

Ministério será acionado sobre antenas de celular no ABC
Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC


O vereador Aldo dos Santos (PT), de São Bernardo, deve encaminhar nesta terça-feira ao Ministério das Comunicações um pedido de esclarecimentos sobre a instalação irregular de antenas de transmissão de sinal para telefonia celular na cidade.
O caso foi denunciado no último domingo pelo Diário e afeta pelo menos quatro dos sete municípios da região. A situação mais crítica é a de São Bernardo, onde apenas 25 das 71 ERBs (Estações Rádio Base) instaladas foram autorizadas pela administração.
No documento, o vereador solicita ao ministério alteração na postura da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para liberar o funcionamento das antenas. Hoje, a agência exige da empresa responsável pela ERB a apresentação de um laudo conclusivo.
No laudo, a empresa deve afirmar que está de acordo com as normas municipais, mas não precisa comprovar tal afirmativa com documentos.

O vereador também vai acionar o Ministério Público de São Bernardo. “Uma ERB não pode ser instalada sem a autorização da prefeitura. Não podemos fechar os olhos para isso”, afirmou Santos.

Nesta semana deve ocorrer na Câmara uma reunião com a presença de parlamentares e ONGs (Organizações não governamentais) para discutir a questão. A data ainda não está definida.

 

 


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